✝️ Cristão de Vitrine — Fé de Chocolate Derretido
✝️ Cristão de Vitrine — Fé de Chocolate Derretido
Minha gente... o povo veio falar de Jesus com a boca cheia de bacalhau e o coração vazio de compaixão, viu?
Tá todo mundo aí se dizendo cristão, mas parece que esqueceram do Cristo. Trocaram o “amai-vos uns aos outros” pelo “curte, compartilha e cancela”. O importante agora é o look da missa, o close na sexta de Páscoa, aquele story com filtro angelical na ceia de domingo.
Misericórdia. A sexta-feira santa virou feriadinho gourmet. É bacalhau importado, vinho de safra cara — e zero reflexão. Quem lembra que esse dia foi pra simbolizar o sofrimento de um homem torturado pelo sistema? Ninguém. A galera tá ocupada demais escolhendo o vinho que harmoniza com o bolinho de peixe.
E aí vem o sábado de aleluia — essa beleza cênica de malhar o Judas. Gritam, batem, queimam o boneco como se fosse exorcismo de consciência. Mas os Judas reais, os que vendem o povo por 30 moedas de emenda parlamentar, continuam ilesos, sentados no colo da impunidade.
É Judas no Congresso, Judas no condomínio, Judas na igreja. E sabe o que é pior? O povo aplaude. Porque é mais fácil malhar um boneco de pano do que encarar o próprio espelho.
Chega o domingo. Ah, o domingo. Ressurreição. Nem sabem mais o que é isso. O que ressuscita é só o açúcar no sangue da criançada entupida de ovo de Páscoa industrializado.
É chocolate em forma de cruz. É coelho com auréola. É fé misturada com cacau e corante. Cristo? Esse ninguém lembra. A mensagem dele cancelada por conteúdo sensível.
E me vem a mídia... Ah, essa nossa imprensa gourmetizada. Faz reportagem sobre o preço do chocolate, a economia do cacau, os empregos temporários... Mas ninguém fala do esvaziamento espiritual que tá acontecendo há anos. Falam do lucro da Lacta, mas não falam da falência da empatia.
Cobrem o mercado, mas não cobrem o coração do povo. E nem se atrevem a tocar na ferida.
A fé virou produto de temporada. Aliás, queria entender esse povo que bota crucifixo no pescoço, mas pisa no pescoço do próximo sem um pingo de arrependimento. Diz que é cristão, mas vota em quem odeia o pobre. Reza, mas se nega a dividir o pão.
Lê a Bíblia, mas pula os versículos que falam de justiça social. Esses dão muito trabalho, né?
O Cristo que seguem é de pelúcia. Um Cristo confortável, sem sangue, sem cruz, sem perturbação. Um Cristo que abençoa o lucro, mas não se mete com desigualdade. É um Jesus de condomínio — não aquele moleque da Galileia que tocava em leproso e jogava verdade na cara de fariseu.
Tem crente aí que conhece o nome de todos os discípulos, mas não reconhece um morador de rua como irmão. Que sabe recitar salmos, mas nunca levou um prato de comida a quem tem fome. Que compartilha versículos no WhatsApp, mas espalha fake news com a outra mão.
Cristo virou meme motivacional.
O que adianta jejuar na Semana Santa e explorar o próximo na semana seguinte? De que vale ajoelhar no templo e tripudiar sobre quem vive nas ruas? Cristo foi condenado por defender os excluídos. Hoje, os mesmos que dizem segui-lo batem palma pra quem criminaliza o pobre.
Que fé é essa, minha gente? Fé de geladeira cheia e consciência vazia?
Tem gente que diz: “Mas Chica, não julgue, só Deus pode julgar.”
Ah, meu bem, eu não tô julgando — tô constatando. Porque se o Cristo voltasse hoje, não entrava em muita igreja por aí, não. Ia ser barrado na porta por não estar vestido adequadamente. Ou talvez até preso por atentado à moral e aos bons costumes.
Porque falar de amor virou crime. E viver o evangelho de verdade virou subversão.
Cristão de verdade não é o que bate no peito, é o que bate na porta do vizinho pra perguntar se tá tudo bem. Não é o que publica “Deus no comando” — é o que se coloca à disposição de Deus pra mudar alguma coisa de verdade.
E mais: não é o que se entope de simbologia na Semana Santa, mas o que se esvazia do ego e se enche de compaixão todos os dias.
Então, meu recado é simples: Se for pra seguir Jesus, que seja com os pés no chão, o olhar no outro e o coração aberto.
Porque fé de vitrine é bonita... mas não sustenta ninguém.
Agora, fé viva? Ah, essa sim move montanhas. E, quem sabe, move também esse povo que se diz cristão — mas tá precisando lembrar quem foi mesmo aquele tal de Cristo.
Assinado: Chica Marrenta, aquela que não leva desaforo pra alma.
Eu sou Chica Marrenta e essa foi mais uma análise crítica, sincera e sem maquiagem da hipocrisia que a gente finge não ver.
Até a próxima — se tiver coragem de ouvir.
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